Eu? Ligar para avisar que ele havia esquecido a camiseta? Não mesmo!
Vai que ele acha que aquilo era um "baby, come back"...
Ela ficou no meu armário por um bom tempo, até que esfriou e ela mudou de dono. Agora todos no bairro sabem que aquele mendigo anda com uma camiseta com alguma coisa sobre o exército escrita atrás.
E ele também, no dia em que veio em minha casa em busca de sua camiseta. E de um baby, come back.
beijou o chão. levantou com o rosto aberto: sangue. dentes? faltavam três numa boca tão pequena quanto as mãos. lábios finos, cobertos de sangue. limpo? não importa. depois de derramado nenhum sangue é limpo. deu cinco ou seis passos, abaixou-se para juntar a integridade e um dente. ele não ousaria voltar atrás. um pouco mais à frente, alguém lhe esperava. caminhou rumo ao desconhecido com passos incertos e vista embaçada. sangue? não importa. quando não se consegue enxergar um palmo à frente, homens e cachorros são cavalos. parou um pouco, sentou na porta de uma loja fechada. enfiou a mão no bolso e tirou um dente. de vez em quando, dentes e coelhos saem da mesma cartola.
e como ia dizendo, mais à frente alguém o esperava: a morte, de braços abertos. e pela última vez bebeu do seu próprio veneno, em goles pausados, cerrando os olhos. e aquela sensação de beijar o chão novamente...