learning to live.
Fragmentos de coisas vividas, não-vividas, imaginadas e esquecidas.

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Ananda A.
Faz psicologia pra tentar entender cabeças, escreve porque não cabe tudo nela, talvez faça artes cênicas por não saber dançar. Mas por enquanto fica tudo (?) nesse blog.

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Quarta-feira, Junho 06, 2007

talvez ela tivesse passado despercebida, por trás daquelas lentes, embaixo daquele casaco, ou talvez por seus passos rápidos.
mas ninguém duvida que três segundos, exatos três segundos, são necessários para se apaixonar.
ela olhou, ele olhou. mas ninguém disse nada. ninguém ousou voltar atrás. mentira: os olhares sim.
você sabe que olhares nunca respeitam a nossa vontade de dizer não. eles simplesmente acontecem, como se tivessem vida própria (e talvez tenham).
ele ficou parado, na sua roda de amigos, e com um objeto artesanal, que foi o que fiquei sabendo depois.
"legal, ele gosta de eufemismos." um ponto pra ele.
ela voltou, sentou em um banco próximo ao dele, até ter coragem de levantar e perguntar se alguém teria fogo.
tinham, ainda bem, mas ele ofereceu o dele. ela aceitou, sem levantar muito a cabeça.
ela olhou, ele olhou. mas continuavam sem dizer nada. ela pensou em sair dali, mas pensou também que não queria ficar longe dele.
ele saiu, tinha coisa pra fazer. ela saiu também, embora ainda faltassem pelo menos vinte minutos pra qualquer coisa que pudesse vir a fazer.
em casa, ela pensou nele. ela dormiu com sua imagem no travesseiro. ela acordou com seu rosto no teto.
de fato, ela estava apaixonada.
e você sabe, paixões não respeitam a nossa vontade de dizer não. elas simplesmente acontecem, como se tivessem vida própria (e talvez tenham).
talvez ela tivesse passado despercebida por trás daquelas lentes...

Lembre-se: os finais são coisas inventadas, pois as histórias, as verdadeiras, nunca acabam.