Sábado, Junho 20, 2009

Hoje eu entendo porque ele me ligava de madrugada depois de beber tantas cervejas. A solidão só é bonita quando retratada por budistas e poesias. Na realidade ela dói. É uma dor que começa fininha, pequena, quase imperceptível. Solidão é um estado de falta, talvez um estado constante. E algumas cervejas são o suficiente pra lembrar o quanto você tá sozinho na vida. E hoje eu entendo. Solidão é quando tu quer alguém só pra passar a mão na tua cabeça e te dar um abraço dizendo "eu estou aqui". Por que na real, ninguém está aí. Todo mundo é ocupado demais pra só dar um abraço num amigo quando ele tá precisando. Todo mundo é egoísta demais.
Ele só queria alguém que pudesse amar. A vida segue um determinado rumo que no meio do caminho você se percebe inadaptado a tal ponto que acha que o normal é viver sozinho. Foram os filmes, os livros, os brinquedos? O que faz as pessoas ficarem assim? Não sei, talvez ele só tenha brincado com os brinquedos errados.
Ele só queria poder confiar em alguém. Contar sobre os demônios que ele encontra à noite e falar como ele se sente bobo quando vê um casal de velhinhos. Talvez ninguém esteja interessado nisso. As cabeças tem tantas ocupações.
Às vezes ele respirava fundo sem saber porquê, e dava uma travada antes de soltar o ar: suspirando por alguma esperança.
Já não se fazia perguntas. As respostas sempre eram complexas demais e ele tentava viver de um jeito simples. Pensava que esse era o segredo das pessoas que viviam de boa.
Quando passava na rua, imaginava qual daquelas mulheres combinavam com a cena que imaginava de um possível futuro: caminhando com seu cachorro e seu filho num carrinho.
Ah, como ele era bobo! Ninguém tinha ensinado pra ele como se vive. Como se vive assim, de verdade, sem ser essas coisas que passavam como o filme em sua cabeça. Ele achava que vivia num filme. Aqueles que começam com um começo morno, meio sem-gracinha, mas depois aconteciam umas merdas e no final ele entendia o sentido da vida.
Mas acredito que talvez um dia ele aprenda como se vive. Ou talvez ele só encontre a mulher que combina com a cena.

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Quinta-feira, Abril 16, 2009

Espera o ônibus aqui comigo. Espera essa dor forte passar. Essa ferida que nunca fecha: quando começa a cicatrizar vem um filho da puta e arranca a casca. Espera comigo eu criar coragem de ser quem eu era. Segura a minha mão enquanto passo por essa metamorfose. Te prometo um dia voltar a acreditar em tudo que eu já acreditei. Os sonhos ainda tenho. A inocência não mais. Nesse tempo já passei por tanta coisa que até minha mãe duvidaria. Já chorei lágrimas que não tinha, já andei por caminhos difíceis. Sofri, sorri, cresci. Espera eu dormir. Espera essa tempestade passar. Abre meus olhos quando os caminhos que eu tiver seguindo não forem os certos. Há poucas coisas em que acredito. Não quero deixar de acreditar. Quero mais motivos pra acordar todo dia. Quero não precisar ouvir músicas tristes e escrever coisas ruins. Estou de saco cheio de mim mesma. Espera comigo eu ter sono e acordar renascida. Com esperanças novas, com um sorriso no rosto por te ver ao meu lado. Me ajuda a dar um sentido pra alguma coisa. Por enquanto ocupo meu tempo com tudo que posso pra ver se ele passa mais rápido. Estamos aqui tem muito tempo e esse ônibus não passa. Essa espera constante me desgasta por dentro. A mudança que nunca vem. A alegria adiada. Por que tudo isso? Pra aprender o quê? Os mais positivos diriam que alguma coisa vai sair, que eu vou crescer com essa merda toda. Talvez eu já tenha cansado de crescer sozinha. Quero crescer junto, construir alguma coisa. Sempre vem uma onda destruir o castelinho que eu passei o dia construindo. Alguma coisa sólida, por favor. Espera comigo mais uma vez as folhas caírem e renascerem. Espera que as cinzas voltem a ser fênix. Saber que já vivi coisas boas não me deixa aceitar ser infeliz. Quero o máximo de tudo. Defeito filha da puta. Queria me conformar com as coisas do jeito que elas são. Mas eu seria outra pessoa. "Wishing I was someone that I'm not". Espera comigo eu te esperar. Vai dar tudo certo um dia.
waking
every
God.





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Domingo, Março 22, 2009

- Pra que mudar?

Ou tu escreve ou tu toma remédio. Escreve isso, ele disse pra ela, que queria desesperadamente se encontrar. Conversas paralelas nunca chegaram a lugar algum, mas quem precisa chegar a algum lugar quando se está com as pessoas certas mesmo que no lugar errado? Aquilo não era novo. O mesmo joguinho de sempre, as mesmas coisas implícitas e explícitas de sempre. A máscara sempre tentando esconder as cicatrizes do rosto que só pioravam. Mas pra mim, aquela sensação era nova. Me mantinha alheia a tudo, embora vez ou outra jogasse umas palavras naquele bolo sonoro.

- Eu tenho medo de mulheres inteligentes. Aquelas mais inteligentes que eu. Tu me lembra uma amiga minha. Parece que fica aí calada, só analisando a gente, sacando o que tá por trás do que se fala. Ela me dá medo.

Ele prometeu algumas caixas de Prozac. Ela prometeu que ia parar de fumar tanto. Ele prometia amor eterno à mulher com quem se casaria. Ela não prometeu nada, pois sabia que nunca cumpria suas promessas. Ele prometeu que pararia de ter medo de mulheres inteligentes.
Quando têm medo de perder as pessoas prometem. Prozac, cigarros, mulheres, nada. A gente tinha medo de perder tudo aquilo. Principalmente quem não prometeu nada sabe que tem tudo a perder.

- Teu problema é comigo ou com o mundo?
- Com o mundo.
- Pode crer. Eu não sou o mundo.
- Talvez seja.

Sempre saiam umas coisas bonitas, embora nunca tivessem durado mais que uma noite. Amanhã é outro dia e ele nunca inclui o ontem. A gente sempre foi assim, não é? E sempre deu certo. Então você me pergunta: pra que mudar? Mesmo sabendo exatamente o que dizer, essa resposta vou deixar você adivinhar.







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Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

E o que estava no meu caderno começa assim.

17/fev/2009. Puc, São Paulo.
Estou em uma sala de Direito. De penetra. Entra um professor gordinho, de origem nipônica, suponho. Ele fala como se lesse um texto: "A disciplina que eu irei ministrar...". Pergunta pra classe "o que é direito?". Lembro de um vídeo que vi no Youtube: O direito é um negócio das Rurgs puon que expõe a rerks twuturais. É o direito é a régueque roist a ongs troloris tworiqui coquais. Sinto vontade de rir, mas não posso, claro. Todo mundo tá escrevendo uma resposta pra pergunta do japa, inclusive eu, a intrusa. Pera, um menino acabou de responder uma coisa massa: o direito é o mundo do deve ser. Porra, varada! O professor diz que não é bem assim, tenta encaixar uma tal de harmonia na frase dele. Porra nenhuma! Muito massa foi o que o moleque disse. Mundo do deve ser. Ele deve estar aqui tirando uma onda com a própria cara. Yoko Ono parece um pastor de igreja dando seu sermão dominical. Ele quer decidir democraticamente se vai dar aula ou vai liberar os alunos pra palestra. D E M O C R A T I C A M E N T E. Parece que a palavra derrete quando ele fala. Comenta sobre fulano de tal que "lecionava na Faculdade de Direito da PUC" e era governador do Estado. "Morreu dando aula", ele solta. Deve ter morrido... imagina a galera que está aspirando a carreira jurídica. "O Mercado de Trabalho é o grande avaliador de vocês". Ser avaliado é um negócio muito chato. Principalmente por quem não te conhece. Mercado de Trabalho... quem é esse cara? Nunca vi nem comi, só ouço falar. "A nota da prova teórica vale 7 e a da prova prática vale 3. Depois tirarei a média aritmética das duas e...". A teoria vale bem mais que a prática. E não só no Direito. O japa libera todo mundo pra palesta. Here we go, falou valeu!


P.S.: Depois descobri que o que o menino tinha falado nem era tão massa assim. Ele só falou uma frase da aula anterior.
Ah, e a minha implicância com o Direito é foda. Desculpem o meu "problema" e o palavreado.







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Segunda-feira, Dezembro 29, 2008

Grandes verdades que eu aprendi na vida

1. Dentre os seus "amigos", pelo menos um é um (grande) filha da puta, por mais que você demore a descobrir ou nunca descubra;
2. Você não vai casar com o seu primeiro namorado ( a não ser que você seja a Barbie ou a Sandy );
3. É inútil esperar ligação de alguém que te fez raiva: só vai fazer você achar que o relógio também está te sacaneando;
4. Se você vai a uma festa, não se arrume tanto. Por mais que você passe oito horas no salão fazendo unha, escova, chapinha e maquiagem, a pessoa que você quer que te olhe sempre vai olhar pra uma mais baranga;
5. Aliás, por mais bonita que você seja, é muito provável que ele se interesse alguma vez por uma baranguete;
6. As pessoas que curtem as mesmas coisas que você não são necessariamente legais ou interessantes, e isso pode ser uma grande decepção vez ou outra;
7. Você sempre vai dar valor pra alguém que não merece;
8. Alguém sempre vai falar mal de você, por mais que não haja motivo;
9. A maioria (se "grande maioria" não fosse redundante, arriscaria a expressão) das mulheres é uma coisa na frente de homem e outra na frente de mulher;
10. Uma mulher chata fica muito mais chata quando tem um homem na roda. Se ele for bonito então... ;
11. Homens, querendo ou não, vão ser menos gente boa quando tão com você e os amigos;
12. "Por mais que você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam";
13. Não dá pra exigir muito de certas pessoas. Algumas nascem limitadas e morrem limitadas;
14. É impossível ajudar quem não quer ser ajudado;
15. "O pior cego não é aquele que não quer ver, mas aquele que vê o que quer";
16. Quem paga de alguma coisa sempre acaba pagando de otário;
17. Preocupação alheia não paga suas contas nem faz sua bunda crescer;
18. Haverá sempre quem critique;
19. Haverá sempre quem copie;
20. Bandas boas têm fãs chatos, livros bons têm leitores chatos e pessoas legais têm amigos chatos. A vida é assim mesmo e não vai mudar.

... e otras cositas más.






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Sábado, Novembro 15, 2008

Meu mundo talvez se encontre no seu mundo. Dei um empurrãozinho pra ver se eles iam mais rápido, um em direção ao outro. O meu é meio lerdo, mas sempre caminha. O seu, muito rápido, sempre indo ao encontro de outros mundos. O meu, solitário, meio escuro, nostálgico. O seu sempre cheio de gente, rodeado de companhias e coisas. Talvez eles se encontrem, talvez não. Uma vez bem longe daqui encontrei um velho numa rua suja. Ele estava sujo por fora, tanto quanto eu estava por dentro. Ele disse que dava pra ver isso no meu jeito de andar, no jeito como meu cabelo não se movia e meus pés pareciam mais quererem ficar parados que caminhar. Me arrastava como quem já quis tudo mas não quer mais nada. Talvez esperar o tempo passar debaixo de uma árvore. Ou numa cabana bem longe, com um cachorro grande e peludo. Talvez nem quisesse mais nada. Ter nascido em outra época, em outro lugar.
Passar umas férias com Alice em Wonderland. Talvez só precisasse disso, dumas férias.
Meu mundo é confuso. É decidido também. Meu mundo tem poucas pessoas reais e muitos fantasmas. Fantasmas de pessoas reais e de outras que eu invento. Não sei se tem pessoas reais, na verdade. Talvez seja tudo uma invenção minha, como as outras coisas. É confuso por isso, não tenho certeza da existência de ninguém. Talvez da minha. Eu criei meu mundo ou ele me criou? Não sei. Talvez só sejamos parte um do outro, sem que um tenha criado o outro.
Queria criar alguma coisa. Queria criar alguma coisa bonita. Queria ser bonita. I only wanted to be sixteen and free.
Essa necessidade de pensar nas coisas. De pensar em tudo.
Essa cadeira branca fica feia com o telefone em cima. A melodia da música não se encaixa na voz dele. A fumaça atrapalha meu nariz a respirar. Isso tudo não faz sentido.
- Viver é muito útil.
- Mas eu não vou chegar a morrer.
Seu mundo atravessa o meu de uma maneira tão completa que eu não posso descrever. Nós não vamos ficar aqui pra sempre.
Grandes merdas.

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Quarta-feira, Outubro 08, 2008

Na caixinha de música uma canção de embalar neném. Na lembrança memórias de quando era criança e jogava futebol na rua com seu calção cáqui e o par de havaianas gastas. Queria conhecer o mundo quando crescesse. Queria comprar uma calça e havaianas novas. Queria tanto a bola nova que papai noel não lhe trazia há 3 anos. Queria tanto ser chamado pelo nome e ser alguém nessa vida: há tanto tempo só ouvia "moleque!" que começou a achar que seu nome tinha sido escrito com algumas exclamações depois. Queria ouvir Jazz. Tinha um vizinho que dizia que numas casas chiques em que a mãe trabalhava o pessoal só ouvia esse tal de Jazz. Queria saber o que era Jazz. Tinha tanta vontade de comer um lanche na escola, de tomar um refresco com pão e queijo. Mas vez ou outra até rolava um feijão com arroz na escola. Merenda. Queria nunca mais ter que ouvir essa palavra. Queria poder levar uma maçã pra professora de Estudos Sociais.
No aparelho de som, Miles Davis. E aquele garoto do par de havaianas gastas. Conheceu o mundo, comprou calças e havaianas novas por 20 euros. Papai noel chegou com a bola, de golfe. Já tinha nome, mas só o conheciam pelo último. Merenda? Nunca mais ouviu falar nisso. Cordon Bleu, Profiterólis, Coq au vin: o pão com queijo que sempre desejava.
Tinha conseguido tudo. Mas, de verdade, o que ele queria mesmo era ser de novo aquele moleque do calção cáqui. Queria querer novos sonhos. Queria dormir sem precisar de pílulas. Queria poder voltar no tempo e desentortar aquele caminho. Queria não ter querido tanto.

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Sábado, Setembro 13, 2008

Você não gosta de cachorros. Nem de caminhar da faculdade até em casa. Talvez o seu jeito de andar seja meio engraçado. Walking dead. A cidade é um morto-vivo que esconde um saci que come meias dentro de uma gaveta. Sexta-feira é pra quem tem amigos e dinheiro, de fato. De um lado, uns vinte metros vazios. Do outro, outros vinte com cheiro de Hipoglós (mas eu juro que era salmão) e pilhas de louças sujas e engorduradas. A política é suja. Punks são sujos. Guns n’ Roses 1995 na viagem com o pai. Bob Marley? Lembra seus tempos de faculdade. Nessa época você nem era nascido mas quem escreveu seus livros já(ziam) há muito tempo. Sabe o que é engraçado? Desespero. Primeiro, uma tristeza de leve. Depois você se dá conta que aquilo tá realmente acontecendo. Chora, soluça, pergunta que diabo é aquilo. Ninguém responde. Você acha que tudo voltou ao normal, mas alguns minutos depois volta a chorar sem saber porquê. Mas, depois que isso passa, esses dois ou três dias, você sente uma leveza (talvez pelas lágrimas choradas, quem sabe, deve ter algum peso esse horror de gota que encharca um travesseiro!), e é nessa hora que você percebe que ali não há nada além de você. E é bom se sentir completo mesmo sozinho. Quase um fake zen-budismo. Quem sabe, quase porra nenhuma. Nesse instante você só queria dormir muito e acordar bem tarde, sem ver o dia passar e não precisar ligar pra pedir comida e comer sem companhia. Na garganta de um lobisomem isso faria um estrago.

Ring a bell?

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Quarta-feira, Julho 23, 2008

Desaparece só um pouquinho pra eu ter aquela estranha sensação de ser eu mesma. Tão antiga, tão clara, tão só. Quando eu ainda podia acreditar que pessoas eram pessoas, quando ainda era possível acreditar em alguma coisa. Agora só resta esta estranha sensação de ter sido tomada por uma verdade tão falsa que preciso tentar me convencer dela. Não é o que quero, nunca quis. Alguma vez no passado acreditei que pudesse haver alguma diferença, acreditei que existiam verdadeiros e falsos, bons e maus, certos e errados. Hoje? Acredito que não exista nada (além dessa vontade de sumir quando penso no que me tornei).

Me pergunto como isso pode ter acontecido tão de repente e tão sutilmente que nem me dei conta do processo. Foram as minhas escolhas? Foram os meus caminhos? Isso tudo fui eu que escolhi? Às vezes duvido. Antes tinha tanta esperança, tantos sonhos, tantos planos. Quando percebi que havia um abismo entre meus ideais e minhas atitudes foi quando me dei conta que alguns caminhos não têm volta. Tentei parar, estagnar, congelar aquela clareza para poder seguir em frente. Erro. Erro. Erro. E nunca mais houve a ponte que juntasse o presente com o futuro. E eu, no fundo, tento olhar pra cima e pensar que um dia criarei asas para fazer a ligação.

Quem decide o que é bom? Quem julga o que é certo? Você, eu ou ela? O que sempre foi certo pra mim nunca foi certo para os outros. Sempre tive consciência disso e nunca tentei ir contra. Mas depois de um tempo você se dá conta que não dá tempo de relativizar todas as verdades e o que resta é se encaixar. Não gosto do que tenho vivido, não gosto das verdades que me atingem, não me são reais. Fico pensando onde está a coragem que eu sempre tive de abandonar tudo. É hora de separar o joio do trigo: porcos não merecem as minhas pérolas.

Onde estive esse tempo todo? Por que aguentei o que não precisava? Talvez seja o preço dos meus pecados, já que dão preço a tudo. Mas nem tudo dura pra sempre, nem a desgraça. E por mais que demore, é sempre possível transformar o que sobra em alguma coisa. E é nisso que me agarro, na idéia que de em todo fim há um recomeço. E dessa vez vai valer a pena, porque o que é bom pra mim sempre foi do meu jeito. Quando tentei experimentar o contrário no que deu? Nisso. Mas, não mais. Nunca mais.




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Quarta-feira, Julho 16, 2008

- Eu gosto de estar contigo...
- ...
- Sempre tive que enganar as pessoas com quem estive, mas contigo é diferente, eu tenho que me enganar.
- Talvez seja por isso.
- A coisa que eu mais gosto nessa vida é de beber. Escrever é melhor que ficar bêbado.
- Existem coisas muito melhores.
- Como o que o teu pijama me lembra, por exemplo...
- ...
- Tem uma coisa que eu gosto mais que beber. Na verdade, eu amo.
- Tu me disse que tinha parado com isso.
- E parei, mas eu amo.
- Hum, sei.
- Tô tentando me livrar de todas as coisas que eu amo. Daqui a pouco vou te dizer tchau.




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Quarta-feira, Junho 18, 2008

Durante um bom tempo defendi que era preciso se livrar de máscaras e todo o tipo de coisa que maqueia a individualidade de cada um: achava que era preciso arrancar todo o tipo de carapuça e estereótipos que haviam se instalado sabe-se lá porquê. Hoje percebo o quão idealista e fracassado esse pensamento é, pois por mais que você queira, algumas coisas nunca mudam. Sou a favor de todo o tipo de maquiagem física e psicológica, das melhores roupas, das melhores marcas, dos lugares mais badalados, das baladas mais caras, dos amigos mais populares etc. Acho super-válida a realidade ilusória criada por algumas pessoas pra substituir o fracasso da vida real, os interesses forjados, a cultura que não existe, a base que nunca se firmou, as amizades por conveniência que (não) existem, algum sentimento barato vestido de amor, a mentira tão bem maquiada que periga parecer verdade, a vontade de ser quem finge que é...
Tentar livrar algumas pessoas desse mundo imaginário pode ser fatal, não há o que substituir. Talvez alguém pergunte por que sou a favor dessa vida-fake encenada por tantos. A resposta é simples: porque o vazio dessas pessoas apavora. Você só muda aquilo que tem. Quando não existe individualidade/personalidade é preciso maquear qualquer coisa que se chama de.

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Quarta-feira, Junho 04, 2008

o vagabundo da próxima esquina
vai estar ao seu lado
quando você menos esperar

dois dedos de prosa
com três sorrisos de lado
e a isca é puxada
como um pedido de socorro.

sonhos sinceros em uma lata de lixo
aguardando serem recolhidos
pelo próximo mendigo morto de fome

latas reviradas por passos incertos
que passaram a noite em quartos baratos
envenenando cobras alheias

à espera da próxima esquina.

você se apressa pra recolher resquícios
mas se contra fatos não há argumentos
você contra-ataca abaixando a cabeça
pra não encarar o espelho embaçado

quando virar o olhar é mais fácil
que manter a velha máscara enferrujada
é hora de olhar para trás
e desmanchar laços desatados

hora de partir
café da manhã requentado no jantar
mala vazia sobre a sarjeta
olhos fundos como bueiros

um bom jogador sempre sabe a hora
de parar e recolher suas conquistas
mesmo com o lucro zero
é melhor que sair perdendo

o vagabundo se aproxima
em cada esquina há um
mendigo, faminto por lixo
em latas de sonho

à espera da próxima esquina.






( p.s.: não lembro se já postei, quando escrevi nem nada do tipo. mas uma coisa é certa: há vagabundos em cada esquina esperando pela próxima)



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Sábado, Maio 24, 2008

Pega a tua mão e passa sobre a minha cabeça: afaga meus pensamentos com tuas mãos lavadas. Escreve na minha pele o nome do teu coração, e no meu pulso derrama tuas lágrimas. Fica em paz aonde for, teu silêncio faz memória nos meus dias tristes. Agora as flores murcham na primavera que nasce embaixo dos meus pés: acima deles só o coração: teu.

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Sexta-feira, Maio 16, 2008

O mundo vai explodir em 3, 2, 1...
- Alice, acorda!

Repressão do pensamento, condicionados a calar. Histórias longas de quebra de idéias, criatividade bloqueada. Razão premeditada, camadas falsas de inteligência. Não há novidade, predestinados ao fracasso. Progresso é palavra de bandeira, não existe por aqui. Roubaram nossa identidade, apenas portamos cédulas. Padronizaram nosso raciocínio, acho que querem vendê-lo para nós mesmos! Éramos nós, agora somos deles.

O Fim do Mundo é anunciado na Sé: o homem de barba branca esbraveja o que ninguém ouve. "O mundo acabou". O tempo de desconstrução é ao contrário: do fim para o começo. O tempo regressivo engole a destruição do real para o irreal (...)

- WAKE UP, ALICE!


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Sexta-feira, Abril 11, 2008

Fazíamos questão de nos mantermos assim: sensatos e distantes, pois sabíamos que próximos machucaríamos um ao outro mesmo sem querer. Eu pensava nela e ela pensava em mim, vez ou outra, relembrando o tempo que interrompemos algumas vezes por banalidades e fatalidades. Isso foi em 95, quando conheci a minha garota de cabelos ruivos e olhos castanhos, com quem vi alguns outonos e poucas primaveras. O nome dela era Nina.
Ela era pra mim como nada tivera sido antes. Eu respirava, suspirava, transpirava, sonhava e deglutia Nina. Ela me entendia antes mesmo que eu começasse a falar, principalmente quando o assunto era outras mulheres. Nina nunca me cobrou nada, morava em sua casa e aparecia quando queria. Eu preferia assim, podia ter minha vida mas sempre que precisasse teria alguém ali, pra me entender sem ouvir, ouvir sem entender y otras cositas más.
Nunca disse que a amava, e nunca ouvi isso dela. Não planejamos filhos, casamento, morar fora nem nada disso. Não sei se ela acreditava em mapa astral e até hoje não sei seu signo, só sei que era de Agosto.
O que Nina fazia quando não estava comigo? Nunca cheguei a perguntar, embora morresse de curiosidade. Não falamos sobre nossas infâncias, traumas e pesadelos. Não falamos sobre felicidade ou sobre negócios. Quando estávamos juntos aquele momento era nosso, só nosso, sem espaço para quaisquer outras coisas.
Nina sabia me deixar feliz. Ela sabia como ninguém o que me deixava alegre, e o fazia muito bem. Seus braços tinham o encaixe perfeito, sua boca idem. Nina era daquelas mulheres que todo homem quer viver com, mas quando encontra sente medo, sente que não está preparado, sente que se fosse um pouco mais velho casaria. Homens nunca estão prontos para nada, foi o que aprendi com Nina.
O dia que Nina me deixou não fazia frio. Não era feriado. Muito menos fim de semana. A minha garota ruiva me deixou numa segunda-feira de Agosto, com um bilhete embaixo da porta, seu chocolate preferido e uma fotografia. Dizia que gostava muito de mim, que tinha passado comigo os melhores momentos da sua vida, que eu era o homem com quem ela queria ter se casado, tido filhos e essas coisas. Pedia desculpas por ir embora daquele jeito, à francesa, mas seria melhor para nós dois: não machucaria tanto. Nunca consegui entendê-la como ela me entendia. Nunca consegui aceitar que ela tivesse ido embora daquela maneira.
Hoje, 13 anos sem Nina, me pego pensando nela vez-ou-outra-todo-dia. E na sua infância, nos seus traumas, nos seus pesadelos. No nosso casamento, nos nossos filhos e na nossa casa no exterior. E no bilhete-resposta que eu escrevi e nunca tive a quem mandar. Agora eu entendo porque nós, homens, nunca estamos preparados para mulheres de verdade: porque uma vez elas, pra sempre elas.

postado por Tαngєяinє


Ananda Aires.
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